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Toxina
será usada para fabricar soro contra 3 espécies que causam a
maior parte dos acidentes no Brasil.
Uma
bactéria que fabrica a principal toxina da aranha-marrom vai
facilitar a produção de soro antiveneno no Instituto
Butantã. Pesquisadores do Laboratório de Imunoquímica
conseguiram inserir um gene do animal peçonhento na bactéria
Escherichia coli. Os microrganismos tornaram-se pequenos
fornecedores da principal enzima (esfingomielinase-D)
responsável pelos danos da picada.
Por
enquanto, o veneno, utilizado para a produção do soro, é
obtido de modo artesanal: as aranhas recebem pequenos
choques que forçam a liberação de quantidades ínfimas da
toxina. Cada animal expele, no máximo, 30 microgramas de
veneno - uma gota de água, por exemplo, tem massa dez mil
vezes maior. Para produzir o soro, é preciso usar centenas
de aranhas.
Com a
nova técnica, as bactérias substituiriam as aranhas e
poupariam trabalho dos cientistas. Ficaria garantido um
suprimento estável de esfingomielinase-D para a produção do
soro. "Nossa intenção era prescindir das aranhas para a
obtenção da toxina", explica Denise Tambourgi, diretora do
Laboratório de Imunoquímica, que há 15 anos investiga o
veneno da aranha-marrom. Atualmente, o Butantã produz soro
antiaracnídico que trata, ao mesmo tempo, picadas de
escorpião, aranha-marrom e armadeira - outra espécie de
aranha comum no País.
"A
ideia é produzir soros específicos para cada um dos
animais", aponta o diretor do Serviço de Imunologia do
Butantã, José Roberto Marcelino. Atualmente, já está
disponível o soro contra veneno de escorpião.
O soro
para envenenamento causado por aranha-marrom - conhecido
como antiloxoscélico - é o próximo da lista.
"Pretendemos produzir três lotes consecutivos (de soro
antiloxoscélico) ainda este ano", aponta Marcelino. As doses
serão usadas nos testes clínicos prévios ao pedido de
aprovação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa).
O soro vai neutralizar o veneno de
três espécies de aranhas-marrons: Loxosceles gaucho -
principal responsável pelos acidentes em São Paulo
-, L. intermedia - comum no Paraná, onde ocorre a maior
parte dos acidentes no Brasil - e L. laeta - mais venenosa,
presente em Santa Catarina
e em vários países latino-americanos. Por enquanto, apenas o
veneno de L. intermedia e L. laeta será produzido com as
bactérias.
VENENO
TOTAL
O soro
antiloxoscélico utilizado no País é fabricado pelo Centro de
Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI), ligado à
Secretaria de Saúde do Paraná. Produzido com veneno extraído
de aranhas, o soro também neutraliza toxinas das três
espécies responsáveis pela maior parte dos acidentes no País
e na América Latina.
A
farmacêutica Isolete Pauli, responsável pela produção de
soros antiveneno no CPPI, considera muito oportuna a
pesquisa do Instituto Butantã.
Mas
aponta que será necessário comprovar que o produto fabricado
com bactéria transgênica neutraliza o "veneno total" - ou
seja, todas as toxinas inoculadas pela aranha-marrom, e não
só a esfingomielinase-D.
"Sem
dúvida, esta enzima é uma peça-chave do veneno", aponta
Isolete. "Mas todas as toxinas atuam de forma sinérgica para
causar os danos do envenenamento."
Denise
Tambourgi, do Butantã, afirma que testes com animais em
laboratório demonstraram que a neutralização da
esfingomielinase-D é suficiente para impedir a ação das
demais toxinas.
NÚMEROS
No ano
passado, houve 17.474 acidentes com aranhas, segundo dados
do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan),
do Ministério da Saúde. A aranha-marrom teria contribuído
com um terço dos envenenamentos.
A
médica Marlene Entres explica que a picada da aranha-marrom
não costuma doer. Só depois de algumas horas o envenenamento
evolui para sintomas que podem variar de necrose no local à
presença de hemoglobina na urina, devido à ação das toxinas
sobre o sangue.
Fonte:
O Estadão
::. Notícias do
Dia:
02 de fevereiro de 2010
::.
CFF publica Nota
Técnica sobre sibutramina
::.
Videoconferência
aborda Tratamento da Tuberculose
::.
Bactéria com gene de
aranha produz veneno no Butantã
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