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Remédio contra diabete pode ser suspenso após suspeita de provocar aumento de risco cardíaco

 

Órgãos responsáveis por medicamentos nos Estados Unidos e na União Europeia analisam novos dados que aumentam as suspeitas de que o remédio Avandia, usado contra diabetes e fabricado pelo laboratório GlaxoSmithKline, está associado a risco de ataques cardíacos e derrames.

 

Ontem, foi divulgado um relatório com mais de 700 páginas sobre o medicamento no site da Food and Drug Administration (FDA), agência que regula alimentos e medicamentos nos EUA. As informações estão sendo analisadas também pelos especialistas europeus.

 

Com base nas informações obtidas até agora, a FDA marcou para a semana que vem uma reunião de um comitê que decidirá se o remédio deve ou não permanecer no mercado.

 

Executivos da FDA adiantaram que seus especialistas estão divididos. "Não há uma unanimidade completa dentro da FDA em relação à interpretação desses dados, e essa é uma das razões pelas quais estamos nos dirigindo ao comitê de conselheiros", afirmou Janet Woodcock, diretora da FDA para a avaliação e pesquisa de medicamentos.

 

Os críticos do Avandia afirmam que os dados compilados pela agência oferecem provas contundentes de que o remédio é inseguro. "Esses dados confirmam, de várias formas, os meus maiores receios em relação à droga", afirmou Steven Nissen, o primeiro cardiologista a levantar suspeitas e fazer campanha para que ele fosse retirado do mercado. "O remédio não é seguro."

 

A GlaxoSmithKline, fabricante do Avandia, defende o seu produto, afirmando que muitos outros estudos concluíram que o remédio é seguro e efetivo. "Desde 2007 vimos resultados de seis testes clínicos que indicam a segurança do Avandia. E todos mostram que esse remédio não aumenta o risco de ataque cardíaco, derrame ou morte", afirmou o vice-presidente do laboratório, Murray Stewart.

 

"Estamos ansiosos para apresentar os dados e participar de uma rigorosa discussão científica com o comitê", continuou.

 

No mês passado, duas outras equipes de cientistas, uma delas responsável pelo maior estudo sobre o Avandia já feito, com 227,5 mil pacientes, reportaram que o remédio aumenta sim o risco de problemas vasculares que afetam o coração e o cérebro.

 

Droga popular. Em fevereiro, um relatório do Senado americano concluiu que a GlaxoSmithKline sabia dos possíveis riscos de ataque cardíaco ligados ao Avandia antes que esse conhecimento chegasse ao público.

 

Aprovado em 1999, o Avandia trata da forma mais comum de diabete e já foi um dos remédios mais populares do mundo.

 

O Avandia controla os níveis de açúcar no sangue ao sensibilizar o corpo à insulina. Mas uma série de estudos tem levantado a suspeita de que a droga aumenta o risco de problemas cardiovasculares, uma das principais causas de morte entre portadores da doença. Isso levou a FDA a lançar uma advertência pública questionando a segurança do remédio, que sofreu grande queda nas vendas.

 

Mas divisões profundas entre os executivos da FDA levaram a agência a decidir pela continuidade do Avandia no mercado, em 2007. O remédio ainda é utilizado por centenas de milhares de portadores de diabete. A polêmica deu vazão a críticas que acusam a agência reguladora de ser pouco rigorosa na aprovação e regulação de remédios.

 

Alguns dos críticos da agência avaliam que a reunião da próxima semana será um momento crucial para a FDA demonstrar que está começando a adotar uma postura mais rigorosa em relação à segurança dos medicamentos sob a administração de Barack Obama. / AP e REUTERS.

 

 

Fonte: O Estadão          

 

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