Inalar insulina pode melhorar a
memória de pacientes com sintomas iniciais da doença de
Alzheimer, segundo um estudo de pesquisadores norte-americanos,
apresentado na quarta-feira (14) numa reunião da Associação de
Alzheimer, em Honolulu.
Os pacientes que receberam o
tratamento por quatro meses mostraram melhora nos exames de
recuperação da memória, que duraram dois meses.
"Nós acreditamos que os resultados são
muito promissores e podem ajudar estudos futuros", disse Suzanne
Craft, do VA Puget Sound Health Care System e da Universidade de
Washington, em Seattle, que apresentou suas descobertas em
Honolulu.
O mal de Alzheimer é uma deterioração
fatal e incurável do cérebro que afeta 26 milhões de pessoas no
mundo todo. É a forma mais comum de demência.
Vários estudos sugerem que pessoas com
Alzheimer têm níveis reduzidos de insulina no cérebro, mesmo em
estágios mais adiantados. A insulina é importante para a
comunicação entre as células cerebrais e é necessária para o
funcionamento do cérebro.
A equipe de Craft queria ver o que
aconteceria se eles levassem insulina diretamente ao cérebro.
Eles estudaram 109 pacientes, não
diabéticos, com doença de Alzheimer ou uma pré-condição chamada
comprometimento cognitivo leve.
Um terço dos pacientes recebeu um
placebo e os outros dois terços, diferentes doses de insulina,
carregadas em um nebulizador e esguichadas no nariz, duas vezes
por dia, durante quatro meses.
Os pacientes que receberam a menor
dose de insulina mostraram melhorias significativas em alguns
testes de memória, mas não mostraram nenhuma mudança em um teste
de memória e aprendizagem ou em um teste de habilidade para
realizar atividades diárias.
Em 15 doentes tratados com insulina, a
equipe encontrou uma ligação entre a melhoria da memória e das
medidas de proteínas-chave relacionadas com a doença de
Alzheimer.
A pesquisadora disse que o tratamento
está longe de ser útil aos pacientes, mas os resultados são
fortes o suficiente para serem estudados em larga escala
clínica.
As drogas atuais para o mal de
Alzheimer apenas tratam os sintomas, mas nenhuma melhora a
memória dos pacientes.
Fonte: Folha Online