Pouco mais
de 15 meses após assinar convênio
com o Hospital Sírio-Libanês e
lançar o Projeto Ciclotron, o
Hospital das Clínicas da Faculdade
de Medicina da Universidade de São
Paulo (USP) se tornou hoje (19) a
primeira instituição hospitalar
pública do país a produzir as
substâncias necessárias para fazer
exames capazes de diagnosticar
cânceres, ainda que em estágio
inicial.
O primeiro lote de radiofármacos foi
preparado esta manhã, no próprio Hospital das Clínicas, e levado
ao Hospital Sírio-Libanês, onde foi aplicado em três pacientes
que, na sequência, passaram por uma tomografia por emissão de
pósitrons (PET/CT), um dos mais modernos métodos de detecção de
tumores de mama, de pulmão, colon, linfomas e melanomas
malignos, além de alguns exames neurológicos e cardiológicos.
Segundo o diretor do Serviço de
Medicina Nuclear do Instituto de Radiologia do Hospital das
Clínicas, Carlos Buchpiguel, os R$ 17,6 milhões investidos no
Projeto Ciclotron pela Secretaria Estadual de Saúde e pelos dois
hospitais paulistas é uma iniciativa pioneira que permitirá ao
país avançar nas pesquisas e no desenvolvimento de novos
compostos e produtos para o setor.
“Produziremos a quantidade necessária
para suportar toda a demanda interna e eventualmente parte da
demanda externa da capital paulista. É difícil quantificar, mas
imaginando a população com câncer da cidade, podemos dizer que
atenderemos a todos os pacientes do Complexo HC quanto de fora",
afirmou Buchpiguel. O médico ressaltou que o projeto permitirá
também uma grande economia porque o hospital só vai arcar com os
custos de produção.
De acordo com a médica do Serviço de
Medicina Nuclear do Sírio-Libanês, Elba Etchebehere, o hospital
particular realiza os exames desde 2004 e o radiofármaco era
comprado do Ipen paulista. Segundo ela, a dose de
fluordexoxiglicose necessária para a realização da tomografia
(cerca de dez miliquirri) custa, em média, R$ 1 mil. Um valor
alto já que o custo final do exame, para os pacientes, gira em
torno dos R$ 3 mil. O preço pelo qual o medicamento será
comercializado pelo Hospital das Clínicas ainda não foi
definido.
“Com maior produção, vamos conseguir
popularizar e ampliar a pesquisa, o que acabará beneficiando os
pacientes de todo o Brasil”, disse Elba. Ele também chamou a
atenção para outro aspecto: como o tempo de validade da
substância é extremamente curto (cerca de 110 minutos segundo a
Cnen), o medicamento tem que ser entregue logo após ser
fabricado, o que exige laboratórios espalhado por todo o país.
Atualmente, no Brasil, a substância -
o fluordexoxiglicose - só é produzida por cinco instituições: o
Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), de Belo
Horizonte (MG); o Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) do Rio
de Janeiro e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares
(IPEN), de São Paulo, além de duas empresas privadas, uma de
Porto Alegre (RS) e outra de Brasília (DF).
Além disso, na semana passada a
Coordenação Geral de Instalações Médicas e Industriais da
Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) autorizou uma
terceira empresa a iniciar a produção do radiofármaco.
Segundo a coordenadora-geral de
Instalações Médicas e Industriais da CNEN, Maria Helena
Marechal, a comissão analisa inúmeros outros pedidos de
laboratórios privados interessados em fabricar o medicamento.
Fonte: Agência Câmara