Interações
entre produtos podem inibir
anticoncepcionais, dar falta de ar,
alucinações e até parada cardíaca
Não é só uma aguinha, não. O colírio,
que tem seu uso aumentado em estações secas como o inverno, é um
remédio que, pela fama de inofensivo, participa de interações
perigosas com outros medicamentos.
"As pessoas acham que o colírio é uma
aguinha qualquer e não prejudica", diz o oftalmologista do
Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto. O produto pode,
por exemplo, inibir o efeito de anticoncepcionais.
"Durante o inverno, período em que o
tempo seco intensifica a poluição e facilita infecções, o uso de
colírios se torna mais comum", afirma Queiroz Neto. "Quem já é
alérgico a alguma coisa costuma ter o olho mais seco.
Nesta época, associa-se o colírio a
outros medicamentos e é preciso ficar atento", completa.
Segundo o médico, com o clima frio,
dobra o número de atendimentos por interações medicamentosas com
colírio no instituto. A situação chega a atingir 20% dos
pacientes.
Além da associação com outros
remédios, também são preocupantes as doses exageradas e as
aplicações incorretas do colírio. "Basta uma gota entre o globo
ocular e a pálpebra inferior. Os pacientes não sabem aplicar",
avalia.
Comprar colírios sem orientação
médica, defendem os especialistas, pode expor o paciente a
complicações de saúde. "Alguns colírios podem provocar parada
cardíaca e alucinações em crianças", diz a oftalmologista e
chefe da equipe de retaguarda do Hospital 9 de Julho, Ana Luiza
Hofling de Lima.
Um exemplo de interação medicamentosa
prejudicial é entre o colírio betabloqueador, que serve para
controlar a pressão dos olhos, e os remédios broncodilatadores,
usados contra problemas pulmonares.
Segundo o médico Luiz Carlos Portes,
do Conselho da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, essa
interação pode provocar falta de ar e levar até mesmo a um
processo asmático. Os efeitos colaterais de interações indevidas
também atingem os próprios olhos.
As informações são do Jornal da Tarde.
Fonte: O Estadão